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Resumo do Livro "Franz Boas: A formação da antropologia americana 1883-1911" (2004) organizado por George W. Stocking Jr.

Nascido em Minden, Alemanha, no ano de 1858, Franz Boas iniciou sua jornada acadêmica com estudos em universidades de prestígio como Heidelberg, Bonn e Kiel, onde obteve seu doutorado em física. Contudo, uma alteração radical em seus planos o impulsionou a buscar uma compreensão da natureza de forma mais abrangente, o que o levou a dedicar-se às ciências humanas e, consequentemente, à antropologia. Após uma experiência transformadora de dois anos no Ártico, onde viveu com os esquimós, aprendendo suas línguas, costumes e lendas, Boas imigrou para os Estados Unidos, país onde se estabeleceu e publicou seus primeiros trabalhos importantes.

Resumo do Livro "Franz Boas: A formação da antropologia americana 1883-1911" (2004) organizado por George W. Stocking Jr.

A sua carreira acadêmica floresceu, e em 1899, ele foi contratado para ser o primeiro professor de antropologia na Universidade de Columbia, posição que manteve até 1937. Boas não foi apenas um acadêmico renomado, mas também um organizador e desbravador. Sua atuação como curador de etnologia do Museu de História Natural e como presidente da Sociedade Americana de Antropologia e da Academia de Ciências de Nova York solidificaram sua influência. De fato, não há dúvida de que Franz Boas foi a figura individual mais importante na formação da antropologia americana na primeira metade do século XX. Sua marca foi tão profunda que se pode falar em um "caráter nacional" da antropologia dos Estados Unidos, algo que o distingue de outros antropólogos que, apesar de importantes, não tiveram um impacto duradouro comparável ao seu.

A Abordagem Metodológica Revolucionária de Boas

A perspectiva de Boas sobre a antropologia contrastava fundamentalmente com as teorias evolucionistas predominantes em sua época. Para ele, a semelhança ou a classificação dos efeitos não eram o ponto de partida da investigação, mas sim uma meta a ser arduamente alcançada por meio de um estudo aprofundado. Boas propunha que a origem dos fenômenos culturais fosse compreendida a partir de sua própria história e contexto, em vez de se basear em analogias simplistas ou em modelos teóricos pré-concebidos. Ele insistia que as categorias humanas não eram fundadas na "mente do estudioso", mas deveriam, de alguma forma, ser derivadas dos próprios fenômenos, sendo coerentes e, até certo ponto, nelas embutidas.

Sua metodologia defendia a observação direta e detalhada, a coleta exaustiva de dados e o estudo dos fenômenos em seu contexto específico, evitando generalizações apressadas ou a imposição de modelos externos. Para Boas, os dados deveriam ser o fundamento para as teorias, e não o contrário. Ele criticava veementemente as abordagens que presumiam causas únicas para fenômenos complexos, alertando que a simplicidade era um perigo na investigação antropológica. Ele enfatizava a necessidade de considerar o ambiente geográfico e os fatos históricos para a compreensão dos fenômenos culturais. Sua visão da antropologia era a de uma ciência histórica, que investiga processos únicos, em vez de buscar leis universais como nas ciências naturais.

Boas realizou trabalhos de campo extensivos, não apenas com os esquimós, mas também com os povos do Pacífico Noroeste, como os Kwakiutl. Sua contribuição para a linguística foi particularmente significativa, sendo considerada um marco na transformação estrutural do método e dos pressupostos linguísticos americanos, estabelecendo o ponto de partida da tradição moderna em linguística descritiva. No campo da antropologia física, Boas questionou as classificações raciais baseadas em características físicas, argumentando que as diferenças dentro dos grupos eram frequentemente maiores do que as diferenças entre eles, e que a ideia de raças puras ou estáveis era insustentável.

"A formação da antropologia americana 1883-1911": Um Compêndio Essencial

A obra "A formação da antropologia americana 1883-1911", organizada por George W. Stocking, Jr., é uma antologia cuidadosamente selecionada de 48 textos de Franz Boas publicados entre 1883 e 1911. O principal objetivo desta publicação é apresentar Boas em seu contexto e no auge de sua influência, oferecendo uma visão compreensiva de sua contribuição para a antropologia americana. A publicação se destaca por reimprimir textos que não estavam facilmente disponíveis, mas que são cruciais para entender as principais linhas de desenvolvimento da antropologia americana até meados do século XX. A organização do livro reflete a amplitude de seus interesses e a evolução de seu pensamento ao longo dos anos.

Introdução: Os pressupostos básicos da antropologia de Boas (George W. Stocking Jr.)
  • Ênfase na Holística e na Interdependência dos Fenômenos Culturais: Boas defendia uma visão holística da cultura, onde todos os seus aspectos (linguagem, arte, religião, organização social) são interligados e devem ser estudados em conjunto.
  • Como o argumento é desenvolvido: Ele via a antropologia como uma ciência unificada que integrava a antropologia física, etnologia e linguística para alcançar uma compreensão completa da cultura. A partir de 1900, Boas enfatizou que a autoridade etnográfica residia na capacidade de traduzir e interpretar culturas, uma vez que o conhecimento etnográfico é produzido e mediado por formas textuais.
  • Crítica ao Determinismo Racial e ao Formalismo na Antropologia Física: Boas rejeitou a ideia de que a raça determinava a capacidade cultural ou mental dos povos. Ele desafiou as classificações raciais rígidas, argumentando que as características físicas humanas são plásticas e influenciadas pelo ambiente.
  • Como o argumento é desenvolvido: Ele demonstrou que as diferenças físicas dentro de uma "raça" poderiam ser maiores do que entre "raças". Sua pesquisa sobre imigrantes revelou que a forma corporal pode mudar entre gerações devido a mudanças ambientais e sociais, provando a instabilidade dos tipos humanos.

O livro "A formação da antropologia americana 1883-1911", organizado e introduzido por George W. Stocking Jr., apresenta uma seleção de textos de Franz Boas (1858-1942) que são cruciais para entender a fundação da antropologia americana. O volume busca definir as principais linhas de desenvolvimento do pensamento de Boas e sua influência na primeira metade do século XX. Não há dúvida de que Boas foi a força individual mais importante na formação da antropologia americana. A seleção dos textos foi feita para apresentar Boas em seu contexto e em seu apogeu, com 62 textos, sendo dois terços publicados antes de Boas completar 50 anos, quando seu ponto de vista já estava estabelecido.

O prefácio de George W. Stocking Jr. explica que este volume reúne e reimprime textos curtos de Franz Boas que são fundamentais para a antropologia americana. O organizador destaca a dificuldade de escolher os textos devido à vasta produção de Boas e à complexidade de alguns de seus escritos, que podem apresentar um uso arcaico ou idiossincrático de estruturas gramaticais alemãs. O objetivo é enfatizar os pressupostos fundamentais da antropologia de Boas, apresentando-o em seu contexto histórico.

Esta introdução, escrita por Stocking, estabelece os pilares do pensamento antropológico de Boas.

Esta parte apresenta textos que ilustram as ideias fundamentais de Boas em seus primeiros anos e que moldaram sua abordagem antropológica.

1. A história da antropologia Franz Boas argumenta que a antropologia deve ser uma ciência que desvende a complexidade da vida humana, focando em sua história e nas funções da mente. Ele critica a abordagem do século XIX que buscava leis gerais, defendendo a compreensão do fenômeno em seu contexto único. Para Boas, a civilização é resultado de uma interação complexa de fatores (geográficos, históricos, psíquicos) e não de um desenvolvimento linear unificado.

2. O trabalho antropológico de Rudolf Virchow Boas elogia a contribuição de Rudolf Virchow, um antropólogo alemão, por sua abordagem integradora da anatomia, medicina e antropologia física. Virchow é apresentado como um modelo de cientista que busca a compreensão do homem como um todo, aplicando métodos rigorosos para estudar a variação física humana e destacando a influência do ambiente na forma corporal.

3. "O pano de fundo dos meus primeiros pensamentos" Boas reflete sobre suas motivações iniciais na busca por uma "compreensão da natureza como um todo", o que o levou da física às ciências humanas. Ele enfatiza que sua experiência no Ártico com os esquimós o fez perceber que o comportamento humano é moldado pelo ambiente e pela cultura, desafiando o ponto de vista mecanicista que considerava a vida psíquica uma mera soma de elementos físicos.

4. A vida psíquica a partir de um ponto de vista mecanicista Boas expressa sua decepção com a incapacidade de uma abordagem puramente mecanicista para explicar a vida psíquica. Ele sugere que uma compreensão mais profunda exige considerar a interação entre o organismo e o meio ambiente, antecipando a necessidade de uma abordagem mais holística para a antropologia.

5. Um ano entre os esquimós Neste relato de sua experiência no Ártico (1883-1884), Boas demonstra a importância da imersão intensiva no campo e do domínio da língua nativa para a compreensão da cultura. Ele descreve como a convivência com os esquimós o levou a superar preconceitos e a entender a lógica interna de sua cultura, reforçando a ideia de que a autoridade etnográfica vem da experiência empírica direta.

Esta parte reúne textos que articulam os princípios metodológicos e teóricos que Boas considerava essenciais para a antropologia.

6. Do meio ambiente geográfico aos fatos históricos Boas argumenta que o meio ambiente geográfico é importante, mas não o único determinante da cultura; os fatos históricos e as influências mútuas entre homem e ambiente desempenham um papel crucial. Ele defende que o objetivo da pesquisa antropológica é compreender as conexões complexas entre esses fenômenos, e não apenas estabelecer uma causalidade unilateral.

7. Os princípios da classificação etnológica Boas contesta as classificações etnológicas baseadas apenas em semelhanças superficiais, propondo que a classificação deve considerar as relações de origem e difusão dos fenômenos culturais. Ele critica a ideia de que fenômenos semelhantes em diferentes culturas têm a mesma causa, argumentando que a etnologia é uma ciência histórica que busca desvendar as estratégias narrativas que constroem a realidade cultural.

8. Os objetivos da etnologia Para Boas, o objetivo da etnologia é compreender os fenômenos culturais em sua totalidade dentro de um contexto específico. Ele rejeita a ideia de que a civilização é um processo linear e que os costumes podem ser classificados em etapas evolutivas universais. Em vez disso, a etnologia deve focar na história dos indivíduos e na evolução cultural dentro de suas comunidades, buscando as razões para semelhanças e diferenças.

9. Sobre sons alternantes Boas demonstra que a percepção de "sons alternantes" em línguas nativas é uma ilusão auditiva do observador, causada pela tendência de impor categorias fonéticas de sua própria língua. Ele explica que os informantes produzem sons consistentes que são interpretados erroneamente, enfatizando a necessidade de um estudo fonético preciso e do domínio da língua nativa para uma pesquisa acurada.

10. Comentários sobre a teoria da antropometria Boas argumenta que a antropometria, embora rigorosa, exige interpretação cuidadosa e consideração de múltiplos fatores para evitar conclusões enganosas. Ele defende que a variabilidade e a distribuição completa das medidas são mais importantes do que a busca por um "tipo ideal" médio, pois fatores como herança, meio ambiente e alimentação influenciam a forma corporal.

Esta parte apresenta exemplos do trabalho de campo de Boas, demonstrando a aplicação de seus princípios em pesquisa prática.

11. Dos esquimós para a ilha Vancouver Boas expressa sua intenção de aplicar sua abordagem etnográfica intensiva no estudo das tribos da Ilha Vancouver (como os Kwakiutl), focando na língua, organização social e mitologias, seguindo o modelo de sua pesquisa com os esquimós. Ele busca um engajamento direto e a coleta de dados empíricos para futuros trabalhos.

12. Trabalho de campo para a Associação Britânica, 1888-1897 Os relatórios de Boas para a Associação Britânica demonstram a importância do trabalho de campo sistemático e do domínio da língua nativa para a coleta de dados culturais precisos. Ele detalha estudos sobre línguas (salish, kwakiutl, tsimshian) e a organização social das tribos, incluindo rituais e mitologias, buscando as conexões históricas e culturais entre os diferentes fenômenos.

13. A expedição Jesup ao Pacífico Norte Boas descreve a expedição Jesup, que visava investigar as conexões históricas e culturais entre as populações do Pacífico Norte da América e da Ásia. O projeto era multidisciplinar, focando em linguística, etnologia e arqueologia, para traçar migrações e intercâmbios culturais entre os continentes.

14. Textos kathlamet Nesta seção, Boas enfatiza que a coleta e publicação de textos nativos na língua original são essenciais para a compreensão autêntica das culturas, fornecendo dados brutos para análise. Ele demonstra a complexidade da estrutura linguística e como a compreensão da língua é fundamental para entender o pensamento e a cultura dos povos.

15. A função documental do texto Boas argumenta que os textos nativos são documentos históricos valiosos para a etnografia, oferecendo insights diretos sobre o pensamento, tradições e costumes. Ele enfatiza que a inclusão desses textos originais melhora a validade da pesquisa ao evitar distorções de tradução e interpretação.

16. Um retrato verdadeiro para os tempos futuros Boas discute a necessidade de a etnografia buscar a representação mais fiel possível das culturas para as gerações futuras, evitando preconceitos. Ele expressa sua preocupação com a objetividade das descrições etnográficas, defendendo que a compreensão autêntica da cultura só é alcançada por um estudo detalhado e sem vieses.

17. "Este livro contém o meu discurso" Boas defende a preservação e o destaque da voz do informante no texto etnográfico, contrastando com a autoridade exclusiva do etnógrafo. A etnografia, ele sugere, deve ser um processo dialógico que reflita as múltiplas vozes presentes no campo, reconhecendo que a autoridade do conhecimento não reside apenas no pesquisador.

Esta parte aborda a abordagem de Boas ao folclore e sua crítica ao evolucionismo unilinear.

18. As "adesões" de Tylor e a distribuição dos elementos-mitos Boas questiona a teoria das "adesões" de Tylor, que postula a difusão conjunta de elementos culturais, sugerindo que elementos culturais podem ter múltiplas origens ou se difundir independentemente. Ele argumenta que as semelhanças em mitos podem ser resultado de contatos e difusão, não necessariamente de uma única origem ou evolução unilinear.

19. As mitologias dos índios Boas analisa as mitologias indígenas americanas como fenômenos culturais complexos e historicamente construídos. Ele critica a abordagem evolucionista que busca uma única origem ou interpretação psicológica universal para os mitos, defendendo que as semelhanças podem ser explicadas por difusão e contatos históricos, em vez de desenvolvimento independente.

20. A mitologia dos índios bella coola A análise de Boas sobre a mitologia Bella Coola reforça que as mitologias de grupos próximos mostram afinidades e interconexões resultantes de contatos e difusão histórica. Ele mostra como a organização social e a mitologia são interdependentes, e rejeita interpretações baseadas em "mentalidades primitivas", enfatizando a necessidade de analisar as mitologias em seu contexto cultural e histórico específico.

Esta parte foca na contribuição de Boas para a linguística antropológica e sua visão da língua como central para a compreensão da cultura.

21. Classificação das línguas da costa do Pacífico Norte Boas propõe que a classificação das línguas deve basear-se em critérios gramaticais e fonéticos precisos, e não apenas em vocabulário. Ele argumenta que a complexidade linguística de uma língua não reflete o nível de desenvolvimento cultural de seus falantes, mostrando a diversidade estrutural das línguas da costa do Pacífico Norte.

22. Um compêndio das línguas norte-americanas Boas enfatiza que o estudo das línguas nativas é fundamental para a pesquisa antropológica e deve ser conduzido com rigor científico, focando na descrição detalhada da gramática e do vocabulário. Ele argumenta que a estrutura linguística reflete as categorias de pensamento de um povo, sendo crucial para entender sua visão de mundo.

23. Esboço da língua kwakiutl Boas apresenta a gramática da língua Kwakiutl como um sistema complexo que reflete a forma como os falantes organizam sua realidade. Ele demonstra que cada língua possui uma estrutura única que não pode ser forçada em categorias eurocêntricas, e que a compreensão detalhada da língua é essencial para entender a cultura.

24. Um estudo puramente analítico da língua Boas defende que o estudo da língua deve ser puramente analítico e descritivo, sem impor categorias externas ou preconceitos. O objetivo é entender a estrutura interna da língua em seus próprios termos, sem distorções.

25. A relação do tlingit e do athapascan Boas examina a relação entre as famílias linguísticas tlingit e athapascan, argumentando que a relação entre línguas distantes pode ser estabelecida através de semelhanças gramaticais e fonéticas. O estudo comparativo de línguas, ele sugere, revela suas histórias e conexões culturais.

26. Os maneirismos da fala de grupos sociais Boas aborda as variações na fala dentro de grupos sociais, afirmando que os maneirismos da fala são características importantes que refletem a identidade social e a cultura de um grupo. A língua, para ele, não é um sistema homogêneo, mas sim uma rede de variações que expressam filiações e identidades sociais.

27. Alguns aspectos filológicos da pesquisa antropológica Boas argumenta que a filologia (o estudo das línguas e textos) é um componente essencial da pesquisa antropológica, fornecendo dados cruciais para a compreensão das culturas e suas histórias. O conhecimento da língua é fundamental para a coleta de dados autênticos e para acessar o pensamento nativo.

Esta parte apresenta a crítica de Boas às abordagens formalistas e tipológicas na antropologia física, especialmente em relação à raça.

28. A antropologia do índio norte-americano Boas examina as características físicas dos índios norte-americanos, argumentando que as raças não são tipos fixos e homogêneos, mas sim grupos variáveis influenciados por herança e ambiente. Ele demonstra que as diferenças físicas dentro de um mesmo grupo racial podem ser maiores do que as diferenças entre grupos, desafiando classificações rígidas.

29. Mudanças na forma corporal dos imigrantes Este texto apresenta um dos trabalhos mais influentes de Boas, mostrando que a forma corporal, incluindo a forma da cabeça, não é imutável, mas pode ser influenciada por mudanças ambientais e sociais. Ele apresenta dados que mostram que os filhos de imigrantes nascidos nos EUA têm formas corporais diferentes de seus pais, que eram de origem europeia, sugerindo a plasticidade das características físicas.

30. Instabilidade de tipos humanos Boas reitera e expande seus argumentos sobre a plasticidade dos tipos humanos, afirmando que a forma corporal e as características físicas não são estáveis e imutáveis, mas suscetíveis a mudanças devido a fatores ambientais, sociais e nutricionais. Ele conclui que a ideia de raças puras e fixas é insustentável.

Esta parte aborda a crítica de Boas ao determinismo racial e sua defesa da autonomia da cultura.

31. A capacidade humana conforme determinada pela raça Boas argumenta que não há diferenças intrínsecas significativas na capacidade mental ou moral entre as raças. As supostas diferenças são resultado de condições ambientais e sociais, não de determinantes raciais inatos. Ele enfatiza que a civilização é um fenômeno cultural, não racial, e que a grande variabilidade dentro de cada grupo racial invalidaria classificações rígidas.

32. Problemas psicológicos na antropologia Boas discute a relação entre antropologia e psicologia, afirmando que a mente humana é universalmente similar em suas capacidades básicas. As diferenças culturais, ele argumenta, são produto da história e do meio ambiente, e não de variações raciais inatas na psicologia. Ele critica a atribuição de diferenças psicológicas a causas raciais, demonstrando que fenômenos culturais são construções sociais.

Esta parte oferece visões mais amplas da antropologia de Boas, incluindo seus pontos de vista sobre religião e o campo geral da antropologia.

33. A religião dos índios americanos Boas analisa as religiões indígenas americanas como sistemas complexos e internamente coerentes, que devem ser compreendidos em seus próprios termos históricos e culturais, e não como estágios "primitivos" de desenvolvimento religioso. Ele discute como as religiões refletem a experiência de vida e o ambiente social dos grupos.

34. Antropologia Boas apresenta a antropologia como a "ciência do homem em sua totalidade", integrando estudos de história, língua, cultura material, organização social e crenças. Ele defende uma abordagem holística que busca a compreensão das interconexões entre todos esses aspectos, criticando a fragmentação do estudo humano. Ele reitera sua oposição às generalizações evolucionistas e ao determinismo racial, destacando a influência do ambiente e da história na formação cultural.

Esta parte examina os esforços de Boas para expandir e institucionalizar a antropologia nos Estados Unidos.

35. O plano de Boas para a antropologia americana Boas propõe que a antropologia americana seja institucionalizada e organizada de forma abrangente, com departamentos universitários e museus trabalhando em conjunto para a pesquisa e o ensino. Ele enfatiza a necessidade de financiamento e colaboração entre diferentes instituições para o desenvolvimento do campo.

36. O ensino de antropologia na Universidade de Colúmbia Boas descreve o currículo de antropologia em Columbia, afirmando que o ensino deve ser compreensivo e multidisciplinar, cobrindo todas as subdisciplinas (linguística, etnologia, arqueologia e antropologia física). O objetivo é formar pesquisadores bem treinados e engajados na pesquisa de campo.

37. O seminário de pós-graduação de Boas Boas ressalta a importância dos seminários de pós-graduação para a formação de novos antropólogos, proporcionando um ambiente de discussão e pesquisa aprofundada. Ele enfatiza que o foco deve ser na inter-relação dos fenômenos culturais.

38. Apelo por uma grande escola oriental Boas faz um apelo para o desenvolvimento de uma grande escola de estudos orientais nos EUA para aprofundar o conhecimento sobre a história, a cultura e as línguas da Ásia. Ele argumenta que tal escola permitiria uma compreensão mais profunda das civilizações orientais e suas contribuições para a cultura mundial.

39. As funções educativas dos museus antropológicos Boas discute o papel educativo dos museus de antropologia, afirmando que eles têm uma função crucial na educação pública, apresentando a diversidade cultural humana e a complexidade de suas manifestações. Ele defende que os museus devem organizar suas coleções para ilustrar a história e o desenvolvimento cultural, não apenas para exibição de artefatos.

40. Planos de pesquisa na América Central e na América do Sul Boas apresenta planos para pesquisa na América Central e do Sul, argumentando que essa pesquisa é crucial para entender as origens e o desenvolvimento das culturas americanas, exigindo um esforço sistemático e coordenado. Ele detalha a necessidade de estudos em linguística, etnologia e arqueologia na região.

41. Um resíduo de amargura Boas reflete sobre os desafios e frustrações em sua carreira, expressando que a pesquisa antropológica frequentemente enfrenta obstáculos institucionais e financeiros. Ele também observa que as contribuições para o campo nem sempre são reconhecidas adequadamente.

Esta parte aborda as reflexões de Boas sobre a relação da antropologia com questões sociais, incluindo raça, nacionalismo e política.

42. A perspectiva para o negro americano Boas argumenta que as supostas deficiências dos afro-americanos são resultado de condições sociais e históricas, não de características raciais inatas. Ele defende que a civilização não é propriedade de uma raça, mas uma aquisição cultural, e que o ambiente e as oportunidades sociais são cruciais para o progresso.

43. Mudando as atitudes raciais dos americanos brancos Boas sugere que a compreensão científica da antropologia pode ajudar a mudar as atitudes raciais preconceituosas dos americanos brancos. O conhecimento da variabilidade dentro dos grupos raciais e a influência do ambiente na forma física desafiam a noção de raças fixas e hierárquicas, fornecendo uma base para a educação e reforma social.

44. Problemas raciais na América Boas afirma que os problemas raciais na América são sociais e históricos, não biológicos. Ele argumenta que a miscigenação é uma parte natural da história humana e não leva necessariamente à degeneração, e que a influência do ambiente e das condições sociais são cruciais para o desenvolvimento humano, não a raça.

45. O nacionalismo americano e a Primeira Guerra Mundial Boas critica o nacionalismo excessivo e o chauvinismo, argumentando que eles levam a conflitos e à supressão da liberdade intelectual. Ele defende que a antropologia, ao promover a compreensão das diversas culturas, pode contribuir para a tolerância e a paz mundial, valorizando a liberdade individual e a autonomia cultural.

46. Um voto de protesto para o Partido Socialista Boas declara seu voto no Partido Socialista, indicando que o partido promove a liberdade individual e a luta contra a opressão e a injustiça social. Ele apoia a proposta do partido para uma sociedade mais justa.

47. Os cientistas como espiões Boas critica veementemente o uso de cientistas como espiões, argumentando que essa prática é prejudicial à ciência e à academia, comprometendo a confiança e a objetividade da pesquisa. Ele defende que a integridade da ciência depende da liberdade e da confiança mútua.

48. Liberdade para ensinar Boas defende que a liberdade de ensino e pesquisa é essencial para o progresso do conhecimento e para a integridade da universidade. Ele argumenta que a interferência externa na academia é prejudicial e que os pesquisadores devem ter autonomia para escolher seus próprios temas de estudo e métodos.

Resumo do Livro "Franz Boas: A formação da antropologia americana 1883-1911" (2004) organizado por George W. Stocking Jr.
Franz Boas

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